“Enquanto se delibera se deve começar, perde-se o tempo de agir.”
— Séneca

Acredito que, perante este tipo de perguntas vindas de alguém sem pergaminhos académicos, muitos dirão que perdi o senso. Já antes fui provocador, irreverente, contestando o status quo e pagando caro por isso. Hoje, interrogar-me em público sobre o fim de uma ciência que foi mãe de todas as outras — e que durante milénios refletiu sobre a felicidade, a ética, a moral, a justiça, o conhecimento, a estética e o pensamento — pode parecer uma blasfémia.

Mas não é vergonha assumir a nossa pequenez, ter dúvidas, cometer erros e levantar questões. Afinal, a filosofia assenta exatamente na dúvida.

A filosofia foi um vulcão que expeliu saberes e deu origem a inúmeras ciências: a matemática, a medicina, a geometria, as artes, a psicologia e a sociologia, entre outras. Ao libertar tantas disciplinas, contudo, a filosofia parece apagar-se, tornando-se um vulcão em fim de vida.

E, no entanto, não morre. Outros vulcões despertam, outras linguagens emergem, pois o mundo é mudança. Podemos contrastar o que se pensou, questionando. Porque a importância das ideias, do pensamento, da procura da felicidade e da coragem de ultrapassar as dúvidas não se extingue: continua com o homem e atravessa o tempo — o que passou e o que virá.

Sócrates, Platão, Tomás de Aquino, Descartes, Nietzsche, entre tantos outros, foram gigantes que ergueram perguntas que ainda nos habitam. Sem eles, não haveria caminho. Reconhecer a sua grandeza é reconhecer que a filosofia não é apenas memória, mas presença viva.

Os filósofos nunca deixarão de existir. No entanto, é verdade que os académicos, ao enclausurarem a reflexão em linguagens inacessíveis e ao se afastarem da realidade das pessoas, contribuíram para o declínio da filosofia como prática quotidiana.

O desafio é este: manter viva a chama da reflexão, sem a confinar a discursos herméticos. A filosofia não vai morrer nem adormecer. Vai continuar como ponteiro no caminho da vida. Mas novos pensamentos, novas ciências e novas linguagens surgirão. E o homem continuará, como sempre, a pensar — porque pensar é o seu destino.